quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Um Conto de Duas Pessoas (V)

E eis que algo acontece! Continuem conferindo...

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Um certo olhar foi lançado a ele das paredes. Das paredes a ele lançou-se o verbo. Tergiversações sobre sua viagem cômica, pretensamente cósmica. As folhas comentavam divertidas viram o rapaz seu corpo arremessado por. E vinha o vento violar seus vaticínios. Houve uma primeira tentativa de contato, seus galhos estendidos tocando as costas e os braços, envolvendo-os. Os passos contínuos do moço o soltavam do aperto. Andando sem hesitação, não percebia o perverso murmúrio das sebes. Para ele o mundo era silêncio. Aquelas paredes verdes imensas e profundas se estendendo e se contorcendo indefinidamente à frente.

De suas profundezas, porém, finalmente conseguiu captar algum sinal. Um sussurro baixo, esporádico, inconstante. Ele subia e descia pelas folhas, ecoando vez ou outra nas esquinas do labirinto. Convencido de estar ouvindo as vozes, o moço resolveu segui-las, escutando atento seu sussurro intangível. Seguia as vozes, tentava responder, eventualmente se perdia. Só o ir em frente era o ir em frente, o sentimento pungente, o aperto em seu coração, o desespero crescente e controlado. O ar ia se tornando mais pesado concomitante- pesado ele estava denso escuro –mente ao sussurro se tornar em zumbido. Mesmo as folhas pararam de se mexer a brisa se tornou nulidade a última garra do sol que se prendia ao cimo da sebe da visão se soltou e caiu no infinito. As narinas contorcidas os lábios num esgar implorando por ar ar ar. Sussurros os eles os baixos em zumbido se transformaram. A cinzentês do ocaso preenchida agora. Lento a lento, insectos infectos purgando a visão. Todo ar em luto. Correr correr correr. Passo apressado. Eis que o zumbido se torna silêncio. O silêncio expectativa. Desta nasce o grito nasce o espanto. Um profundo horror agudo a voz esquálida se quebrando sobre si, correr de vez. Os arbustos agora sepultos se abrem e o libertam. Fora do labirinto.

Ali: alto, mais de dois metros em altura, encorpado, tronco largo, perna compridas. Mãos envoltas em luvas, pés envoltos em botas. Uma capa sobre seu corpo um capuz sua cabeça. Fios de cabelos negros brancos cinzentos sujos molhados escapam, descendo ou caindo até o meio das costas. A barba sem ser feita, crescendo multicor no rosto pálido, guarda pelo nariz comprido, largo, guardião da boca de lábios finos, gengivas com dentes tortos. Suas sobrancelhas espessas lançam a amurada sobre os olhos: miúdos, pretos, sem brilho. Ali. Seu algoz, o Senhor das Moscas, esperava.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Exílio (parte II)

Deixei você por um longo tempo sem a atualização de "Exílio", especialmente porque não gostei muito do resultado, mas aí vai:

No meio da rua e no meio do mundo. O mundo é a rua, e a rua é um rio. Um desses que tem mais pedra do que água, e só enche na chuva, deixando pra estiagem a ascensão aos céus da fina essência de miragem que se desprende do solo. Eu sou o concreto que exala pelo seu bafo minha palavra de calor e delírio. Depreendo do ar sua fúria seca. Ouço os passos dos pássaros que me rodeiam o pensamento, arrancando a bicadas o que restou entre os destroços.

São sete e quantas da manhã. O sol decalca-me os passos. Ele acaba de surgir, em sua perseguição sombria a mim, seu grande inimigo. Eu acabei também, como ele, de chegar a este lugar. É uma rua larga e plana, sem árvores. Suas casas parecem se alternar num compasso programado. É uma imagem de lugar perfeito. Perfeito como só as conspirações torpes podem ser: secretas. Pois a luz é perfeita tanto quanto reta e, para sempre e sempre, visível. Ah, tristeza das tristezas, esse lugar está longe de ser perfeito.

O forasteiro acabara de chegar à rua. Nada se elevava do chão para além das casas. Nem postes, nem placas, nem árvores. Somente os muros o observavam, contritos. Ele caminhava com indignada resolução, passo a passo metendo-se pelo domínio de seus adversários. Fechou os olhos. Em sua escuridão, podia ouvir os muros cantarem. Do tijolo e da tinta desprendia-se um vago som, um réquiem adormecido. No céu, um estranho objeto se movia. Lançava com compasso decidido uma vasta sombra sobre a terra.

O estranho, subitamente ofegante, se contorceu sobre si mesmo, cerrando os punhos e os dentes. Uma espécie de ódio latente e visível parecia percorrer suas veias, fazendo saltar a sua pele uma coloração rubra. Então, após um longo suspiro, começou a gritar, repetidamente: Tuba mirum spargens sonum! Tuba mirum spargens sonum! Seu gritos, sem cadência e repetitivos, pareciam um rosnado raivoso, como se vomitados, com som e fúria espetaculares, enchendo toda a rua.

Pouco a pouco, os portões começaram a se abrir, revelando por detrás dos muros a vida consciente. Eu vejo. De todos os tipos, pessoas afluíam. Os culpados, sim, são eles, eu sei. Mulheres em penhoares, homens de bermuda e camiseta, senhoras de jeans e blusinha. Eles se aproximavam lentamente, inseguros, do homem, que parara de gritar e agora suava sua ira. Eu não posso titubear, é meu dever. Eles pareciam reconhecê-lo. Primeiro, a mulher de cabelos brancos, com anéis nas mãos, que solta um grito mudo e leva a mão à boca. Sim. Depois o rapaz, de calça e sem camisa, que recua medroso. Eles. O velho gordo, que pára e o observa boquiaberto. Sabem. A moça que solta um grito agudo. Quem. A matrona, que continua caminhando, até alcançá-lo e olhar em seus olhos. Eu. Ela vê a morte, a destruição e o julgamento, queimando nos olhos dele como um fogo eterno do sol criador. Sou.

Seus braços se lançam aos céus. O trovão é a voz do juiz que se lança a proferir suas sentenças. O objeto Lua que percorria o céu cobre com vagar o sol, impedindo sua visão, jogando trevas sobre a terra e sepultando seu próprio veredicto. Nuvens também se agrupam, cinzentas, plúmbeas, como a tampa de um sepulcro. Logo, tornam a vomitar fogo e raios sobre a rua. Os dedos e as mãos do recém-chegado são sua indicação, a batuta regendo a suíte sinistra, a tocata que com pura ira destrói as teclas do piano. Os corpos ardem e viram cinzas, os muros desabam sobre as casas e as enterram no concreto.

O barulho cessou. Eu estou sozinho, finalmente. Minha missão já foi escrita, já foi cumprida. Vou-me embora, recolher-me, pois aqui já não há mais o que fazer. O homem então baixou seus braços, e numa marcha constante pôs-se a andar. Enquanto o sol saía de sua senda, em busca de seu grande rival, os escombros se ergueram, entoando seu hino interminável no aqui e no além confutatis maledictis flammis acribus addictis.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Battles - Mirrored - 2007

Eu sou um cara razoavelmente eclético pra música. Se a música for boa, aceito tudo. MPB, Rock’n’Roll de todos os tipos, Blues, Jazz, Música Clássica, Folclórica, até Disco, Soul e afins. Enfim, tudo do bom e do melhor. Entretanto, como Marcelo Nova, eu penso um pouco que o “futuro” da música está no “passado” da mesma. Não vejo nada muito promissor no sentido de ser absoluto. Até porque, nos nossos tempos, criou-se a tal “cauda longa” e tudo, tudo mesmo, tem seu espaço. Nunca mais veremos um fenômeno como os Beatles. Agora é cada um em seu nicho e bola pra frente.

Entretanto, recentemente descobri uma banda que, a cada vez que eu ouço, tenho mais certeza de que se trata do futuro. Tal banda se trata dos Battles, cujo único CD, Mirrored, de 2007, é em uma única palavra espetacular. Eles são o principal expoente do math rock atual. Estilo calcado em experimentações e numa forma de fazer música arrojada e sofisticada, com influências tão distintas (até mesmo opostas) quanto Punk e Prog, o math rock também carrega na bagagem de influências artistas experimentais como os Beatles, Frank Zappa, e toda a “corja” do Prog setentista. Entretanto, ao contrário de muitas bandas (a maioria), que apesar de fazer um som interessante (muitas bandas atuais são assim) não são realmente inovadoras, o Battles é “diferente de tudo que você já ouviu, e tudo que você ouve deles é espetacular.”

Reconheço, meu conhecimento de math rock se restringe a eles, e ao seu único CD. O movimento inclui entre seus expoentes inclusive uma tal Vanguarda São Paulo, ao que parece bastante respeitada no “meio”. Pretendo ir atrás de ouvi-los logo, mas não posso falar por eles. Não sei dizer se o math rock, ou o post rock, é o estilo musical do futuro, mas sei dizer que Battles está no caminho certo. Por que a música deles é futurista? Não, nada tão primário, e sim porque ela é diferente, é interessante, é correta. Você sente que eles sabem aonde querem chegar com suas músicas, que as coisas são bem construídas, e que tudo aquilo dá incrivelmente certo junto. Esperemos agora com os ouvidos abertos por mais CDs. Afinal, o futuro mesmo, só saberemos quando chegarmos lá.

Across the Universe

Completamente maluco. Assim posso definir esse filme que se baseia em uma idéia tão óbvia, mas tão óbvia, que a única explicação para não ter sido usada até hoje é que ela é mesmo genial, e não é todo mundo que tem dessas. Across de Universe, da diretora Julie Taymour, usa única e exclusivamente músicas dos Beatles para contar uma fantástica história de amor.

No começo, você até fica com um pé atrás, temendo que o filme seja só uma sucessão de videoclipes, mas logo você se acostuma e entra nessa viagem lisérgica, cujos 131 minutos de metragem passam voando, voando.

Paralelo à(s) história(s) de amor, há um certo comentário político e social, mas apresentado de uma maneira contundente e integrada à trama. Afinal, quem, quem!, na “década que não terminou”, viveu fora de todas as revoluções, contra-revoluções e circunvoluções da música, das artes em geral, do comportamento, da mentalidade, enfim, de praticamente tudo que nos faz humanos!? Os anos 60 foram recheados de guerra, poesia, sangue, música e morte.

Mas isso vem de brinde, afinal, o que importa aqui mesmo são os Beatles, e como eles aparecem. A começar pelos personagens principais. Jude (Hey Jude) é um garoto de Liverpool que vai para a América em busca do pai, que fecundou sua mãe na Segunda Guerra e tratou de voltar pros EUA. Ao chegar em Princeton e encontrar seu pai, conhece também Max (Maxwell Silver Hammer), por cuja irmã, Lucy (Lucy in the Sky with Diamonds), que perdeu o namorado na Guerra do Vietnã, ele se apaixona. Max tem também uma outra irmã, Julia (da música homônima). E, num jantar de família, até Jack Kerouac é citado! Mais Beatles impossível.

Completando o time, temos Jo-Jo (Get Back), que perdeu o irmão em um confronto urbano e vai para a cidade. O cara é igualzinho Jimi Hendrix, até pela profissão: como guitarrista, se junta à banda de Sadie (Sexy Sadie), a senhoria de Max e Jude, com quem tem um caso. E por último, Prudence aparece, uma menina serelepe mas que, apesar do belíssimo momento em que sua música tema, Dear Prudence, é cantada, não mostra a que veio.

Enfim, é informação até dizer chega, mas que vem de uma forma muito natural e divertida. E dá-lhe participações especiais. Bono Vox, interpretando o guru do ácido Dr. Robert, entoa I Am The Walrus, e leva a trupe para uma viagem (em todos os sentidos possíveis), onde encontram Mr. Kite (Being For The Benefit of Mr. Kite), cujo circo mais parece uma daquelas cabanas-suadouro indígenas, e é interpretado pelo comediante Eddie Izzard. Finalmente, temos Joe Cocker num papel triplo de cafetão-hippie-mendigo, cantando com sua voz (que já transformou With a Little Help From My Friends) a fodástica Come Together, e Salma Hayek, que como seis enfermeiras faz os feridos de guerra delirarem com Happiness is a Warm Gun.

De ressalvas ao filme, somente que a canção de alguns personagens (como Sadie e Jo-Jo e Max) não é cantada, ficando só na referência velada, enquanto algumas coisas desnecessárias – embora divertidíssimas e emocionantes – entraram no pacote. Também senti falta de The End, cujo tema tem tudo a ver com o filme. De qualquer forma, não tenho do que reclamar. É Beatles do ínicio ao fim, 33 canções que nos fazem cantar junto, pular, dançar e tudo o mais, mas é claro, só na nossa cabeça. Um filme tocante, engraçado, delicioso de se ver e muito bem feito, lembrando-nos mais uma vez que all we need is love, e - meu adendo – que no fim, o amor que você recebe é igual ao que você oferece.

P.S.: Sountrack no Amazon.com, pra vocês saberem o que toca.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um Conto de Duas Pessoas (III)

Outro trecho desse "Conto de Duas Pessoas". Não se esqueça de continuar conferindo no [Tudo e Nada].
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[...] Seus passos decadentes imprimiam ao solo o leve murmurejar de vidro estilhaçando. Cada flexão, cada passada era mais um arranhão no piso. Lentamente, o próprio movimento espanou os cacos de seu rosto, e seus olhos puderam se abrir mais a contento, enxergando agora bem mais que o borrão lusco-fusco escarlate que antes lhe tomava a visão. A igreja continuava adormecida na penumbra. Os bancos se sucediam como um exército em ordem de batalha, observando impávidos seus movimentos deprimentes. A única iluminação vinha de suas costas, da luz bruxuleante, sinistra que emanava das velas e iluminava tão somente a nave principal. As naves laterais permaneciam enterradas na escuridão. Somente seus santos guardiões suportavam alguma luz, fracos raios do sol, do crepúsculo que tocava delicado as colunas ebúrneas edificadas sobre a pedra e a terra, sustentadoras do edifício.

O moço se virou lentamente para o altar, donde emanava a luz do templo. A cruz se erguia imponente e majestosa sobre a mesa do altar. Um santo que o rapaz não conhecia observava a assembléia do alto do tabernáculo. À direita e à esquerda, nas naves laterais, lampejos permitiam enxergar sacrários secundários, para serem utilizados em caso de necessidade. Em ambos, lia-se IHS em letras douradas. Em ambos, um santo mantinha guarda, esperando imóvel pelos séculos dos séculos. Todo o ambiente parecia um quadro. Os raios multicoloridos do sol, paralisados como pedra. As chamas das velas, quase extintas. Mesmo o ar e o vento se encontravam imóveis. Da cruz que lançava sua sombra sobre o moço, o jovem Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum o observava com olhar de profundo sofrimento e angústia. Por um instante, o rapaz pensou ter visto a imagem lançar a ele um olhar sereno de compreensão, mas essa impressão logo se desfez junto à imobilidade vigente. Após um tempo, tempos e a metade de um tempo, o moço se virou novamente e caminhou a passos largos. Ao chegar às portas da catedral, tocou-as com dedos frios, disposto a ouvir contrito sua silenciosa elegia.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Rocco e Seus Irmãos

Em seu livro Os 100 Melhores Filmes do Século XX, o crítico e cinéfilo Rubens Ewald Filho afirma que “[Rocco e seus Irmãos (Rocco e i suoi Fratelli, 1960)] é um daqueles filmes que trespassam a alma, emocionam-nos, até acima das meras lágrimas.” Ele não poderia estar mais certo. O filme vai muito além de nos causar tristeza. Ele arrebenta o peito e mergulha nosso coração em uma angústia intraduzível em palavras.

Dirigido pelo mestre italiano Luchino Visconti e estrelado por ícones como Alain Delon e Claudia Cardinale (numa participação mínima), o filme conta a história de uma mulher, Rosaria Parondi, que leva seus cinco filhos – Vincenzo, Simone, Rocco, Ciro e Luca – da Sicília para Milão, afim de que eles encontrem uma vida melhor. As coisas não começam muito bem, mas à medida que elas entram nos eixos começam a cair as pedrinhas que futuramente vão causar um terremoto, uma avalanche na vida de todos eles.

Esteticamente, o filme é perfeito. A fotografia em p&b é primorosa, e os ângulos, as tomadas, lembram inclusive a nouvelle vague. As atuações são impecáveis, a começar pela da lenda Alain Delon, pela primeira vez colaborando com o diretor italiano. A música também é primorosa, entrando para passar a emoção nos momentos de necessidade, e se ausentando quando fosse contrária aos propósitos da cena. A trilha foi composta pelo maestro Nino Rota, mas tem direito até a Tintarella di Luna no meio do filme.

O grande mérito do filme, porém, reside mesmo na história: a forma como ela é contada e tudo que ela envolve. Diversos questionamentos se sucedem, seguindo porém a óbvia máxima de que você não precisa contar o que está mostrando. A história, nua e crua, necessita somente de um pequeno esforço mental para interpretar o que nos atinge, para ir além da história pela história.

Os vícios e vicissitudes da cidade grande, em contraste com o campo, “terra do arco-íris”, se introduzem na vida dos irmãos, mas também não fazem nada mais do que atiçar o que já está dentro de cada um deles. Ele mostra, claramente, que “não importa o que fizeram com você, e sim o que você fez com o que fizeram com você.” Mostra, também, que o perdão e compreensão, as armas da justiça Divina, dos Santos, em contraponto à dos homens, podem, quando em excesso, fazer sucumbir de vez o perdoado.

O filme contrasta, finalmente, a desgraça e o sofrimento, a ruptura, o egoísmo, a violência, com a própria essência da família e a fraternidade. Como as atitudes de cada um em frente às atitudes de cada outro faz com que as atitudes de cada um mudem ou não e quais as conseqüências disso para os envolvidos. Complicado? Não liguem, é só um exercício de retórica. Palavras nunca traduzirão o que a imagem diz, e vice-versa, assim como traduzir a alma é um desafio que todos continuaremos nos impondo até o fim dos tempos, e além.

Ainda assim, arrisco dizer que Rocco e seus Irmãos realmente alcança a alma. Ele faz sentir, lá dentro, uma angústia tão profunda quanto indefinível. Ódio? Inconformidade? Tristeza mesmo? Como saber? No fundo, bem no fundo, todas as coisas se fundem, se mesclam. E é lá que esse filme vai tocar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Mais uma da Xurepa

O xureppër profissional Orsi está fazendo umas tirinhas sem nenhum sentido e com menos ainda pudor. Só para humores muuuuito distorcidos. Confiram:

Orsi + Xurepa #1

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Um Conto de Duas Pessoas

Senhoras e senhores! Começa hoje uma Nova Era nos desvairados caminhos do mundo. Certo, talvez não seja algo assim tão grandioso, mas de qualquer forma, nós temos uma novidade. Eu e minha amiga Letícia estaremos, a partir de hoje, escrevendo uma história em conjunto, alternadamente. Eu postarei o que eu escrever aqui, e ela postará o que escrever em seu blog, o magnífico [Tudo e Nada]. Portanto, visitem ambos para saber das novidades, mas fiquem tranquilos que, quando houver novos trechos, eu avisarei. Assim, comecemos, com o primeiro parágrafo de uma certa história...

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Imagine se sendo arremessado a tantos metros por segundo você encontrasse o vitral de uma igreja. Com certeza seria um vitral muito bonito com um missionário apascentando seus convertidos ou a lança de São Jorge do anjo de Miguel sobre o dragão sobre Santa Teresa sobre Satã e acima de um rasgo no céu a eufonia do coro dos batalhões do paraíso entoando com salmodiante alegria Gloria in excelsis Deo. Seu corpo estilhaçaria com momentoso estampido o vidro tão bem entretecido, agora entristecido por uma sua própria derrocada. O barulho chamaria a atenção de todos que acorreriam à sua volta e você abriria lentamente os olhos e veria como Blake anjos no sol pela luz que trespassava as ruínas do vitral. Neste instante, pensando que não gosta muito de ir à igreja e a bem da verdade sequer tem religião, você seria levado do mundo dos despertos e a escuridão tomaria seus olhos e todos exclamariam “Ó onipotente rei dos exércitos, eis que esse contrito moço triste moço pobre moço desmaiou.” Agora, que tal imagem já se formou, para seu mal-estar e tristeza, imagine que tudo isso é real. Em um, dois, três... CRÁS!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Noite Americana

Fazer cinema, definitivamente, não é fácil. Quem pensa que é só o diretor pegar uma câmera, arrumar uma locação, chamar os atores e mandar ver, pra depois editar, colocar a trilha e ficar tudo bonitinho, está muito enganado. Essa visão é extremamente reducionista em relação ao trabalho hercúleo que pessoas que trabalham com cinema têm.

Mais uma vez, venho a vocês falar sobre um filme que homenageia a sétima arte e arregaça o coração para gritar aos quatro ventos seu amor pelo cinema. O filme em questão é A Noite Americana, clássico vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro do ídolo nouvellevagueano François Truffault. Tendo por plot a filmagem de um longa-metragem, o filme aborda duas “tragédias”: a da história do filme, que nós sentimos ser um pouco ruinzinha (o enredo, aliás, é basicamente o mesmo de Perdas e Danos); e a da equipe e elenco, muito mais real e, por conseguinte, mais comovente.

Entretanto, apesar de todas essas “tragédias” o filme é, em sua essência, uma comédia, e das boas. Não a comédia atual, de chorar rios vendo, e sim a mais clássica, de situações inusitadas e engraçadinhas. Truffault é mais um apaixonado pelo cinema e usa todo o seu conhecimento, sua técnica, enfim, seu conhecimento de causa para fazer desse um filme perfeito.

Nós temos aqui o conflito dos atores: Alphonse é extremamente carente (ou coitado, como preferir) e seus casos amorosos nunca dão certo; Alexandre viveu a era dos Grandes Estúdios em Hollywood e foi o grande garanhão-do-pedaço. Ele age como a sabedoria no meio do elenco, é o personagem mais cativante, mas também viverá seus percalços; Severine também foi uma diva dos Grandes Estúdios, mas agora, não consegue conviver com a velhice e a perca da beleza e tem uma certa quedinha pelo álcool. Seu perfil lembra muito a de Norma Desmond em O Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, que tem temas semelhantes, mas neste o humor é negro e, portanto, muito mais trágico, enquanto que naquele o humor é mais alegre e irônico, com uma pitada de melancolia; Finalmente, temos Julie, musa atual do cinema americano que passou por uma crise nervosa e ninguém sabe se poderá contar com ela.

E é agora que entra o grande trunfo do filme: não são só atores que tem problemas e conflitos. A equipe técnica existe, é grande e também é composta de seres humanos. A começar por Joelle, a assistente de direção que faz as vezes de roteirista, figurinista e até contra-regra. Ela é a perfeita imagem da total entrega ao trabalho, ao cinema. Liliane é a namorada de Alphonse que conseguiu graças a ele o encargo de trabalhar com o roteiro na hora das filmagens. A relação deles é um dos turning points do filme. Há também o contra-regra, o câmera, o assistente de direção, o produtor, o compositor da trilha sonora, enfim, todas as pecinhas que fazem com que aquelas duas horas de metragem cheguem a você no cinema. Finalmente, há Ferrand, o diretor, grande personagem-símbolo do filme, interpretado pelo próprio Truffault que sonha com sua meninice, quando roubava fotos de filmes no cinema, Cidadão Kane no caso, e tem de lidar com absolutamente tudo que envolve o filme, tudo mesmo! Que arma tal personagem irá usar, a cor disso, a iluminação daquilo, o enquadramento de tal cena, a direção dos atores, os temas do filme, os cenários, os figurinos. Ele é o grande general que comanda a todos com amabilidade mas tem sempre que tomar a decisão.

São com ele que grandes cenas de homenagem acontecem, como o supracitado furto das fotos de Cidadão Kane, e também uma outra cena que transpira amor pela sétima arte: o compositor liga para ele pedindo sua opinião sobre o tema de amor do filme. Enquanto ele toca, Ferrand abre um pacote de onde tira livros sobre vários diretores, como Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Jean-Luc Godard, Michelangelo Antonioni e Robert Bresson. Mais metalingüístico impossível.

O nome do filme – como vocês devem estar curiosos pra saber – é o efeito de filmar cenas noturnas durante o dia usando um filtro especial (daí o título em inglês, Day For Night). È uma grande metáfora de todos os efeitos especiais usados para levar ao espectador a imagem mais real possível. Desde a trucagem, a perspectiva forçada, o stop-motion e tantas inúmeras outras contribuições de George Meliés ao cinema, até os cenários falsos, os trilhos de câmara e a maquiagem. Chegando mais profundamente à própria dedicação do famoso “cast and crew”, “elenco e equipe”, para transformar um mês de trabalho árduo na diversão semanal de milhões de pessoas.

A Noite Americana, afinal, é um filme que ama o cinema de muitas formas. Ela não só fala sobre filmes em si: sua história, seus ídolos, seus deuses. Mas também sobre o que está por trás dele: as pequenas histórias de cada um, os problemas, as frustrações, que somados formam algo indelével, provando, dessa forma, que a arte pode sim ser maior do que a vida.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Akira

Assistir a filmes de outros países é interessante, pois com eles podemos conhecer melhor a personalidade e a cultura de seus habitantes. Não que eles precisem falar sobre o país deles, ou filmar no país deles. Somente a maneira das coisas serem feitas já nos ensina sobre as semelhanças e diferenças entre as culturas. Com Akira (Katsuhiro Otomo, 1988) aprendemos, por exemplo, que dificilmente filmes de ficção científica em futuros não-tão-bons-assim abandonarão o paradigma visual Blade Runner. Aprendemos também que nenhuma dublagem deve ser idêntica ao original, afinal, cada língua tem sua entonação e maneira própria de falar.

Aprendemos, finalmente, que a animação em duas dimensões não precisa ser limitada a facilidades de desenho. Isso, aliás, é um lugar-comum dos grandes animadores japoneses. Os longas do Studio Ghibli, de Hayao Miyazaki, por exemplo, apesar de seu estilo mais fantasioso, menos realista, são extremamente complexos e detalhados, tanto visualmente quanto em questão de roteiro. São dele filmes como A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, Nausicäa do Vale do Vento e Princesa Mononoke.

Akira não deixa nada a dever a esses filmes, mas aqui a comparação só cabe para efeitos de animação. O enredo e teor do filme são completamente diversos. Baseado no mangá homônimo, também de autoria de Otomo, Akira bebe na fonte cyberpunk que inspirou desde o Blade Runner supracitado até Matrix. Não me alongando demais nesse pormenor, o cyberpunk – que tem entre seus principais expoentes William Gibson e Philip K. Dick - é a ficção-científica distópica, com um futuro sombrio e violento, tendo por lema "High tech, Low life", ou seja: alta tecnologia à serviço de um baixíssimo nível/qualidade de vida, muitas vezes causado por superpopulação, guerra ou algo do tipo. O governo corrupto/tirânico divide o espaço com uma sociedade completamente anárquica e rebelde, e o uso de drogas é sempre exacerbado.

Assim é fácil enxergar o conteúdo geral de Akira: muita violência, e um visual facilmente reconhecível, com prédios enormes, luzes, néon, e muito couro. Mas, ao contrário do que eu imaginava, Akira não é uma história fatalista. Kaneda é o líder de uma gangue de motoqueiros, que protege sempre seu melhor amigo, Tetsuo. Este, após um acidente de moto envolvendo um experimento do governo, é levado para um hospital/centro de pesquisa do exército, onde descobrem seus dotes psíquicos. Sendo esmagado entre os delírios causados por suas habilidades, o isolamento de tudo que ele conhecia e a falta de auto-estima de sempre ser salvo, protegido por Kaneda, ele cede, e liberta de uma vez a fúria de seus poderes.

Entretanto, ao contrário do que eu imaginava, o fim não foi a purificação – da cidade, do povo, dele mesmo – por meio da aniquilação. Podemos apreender daqui mais uma característica da cultura japonesa. Ou, menos pretensiosamente, de seus filmes. Lá, apesar dos conflitos violentos entre amigos-irmãos (constantes), e das apoteóticas destruições, há sempre espaço para um final feliz, com uma construtiva mensagem espiritual e moral no fim.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Cinema Paradiso

O cinema, sendo uma arte contemporânea, é muito veloz em suas mudanças e alternâncias. Assim, num mesmo ano vemos filmes metalingüísticos (sobre o próprio cinema), filmes que seguem padrões clássicos e até, quiçá, filmes que quebram e mudam paradigmas.

Para quem gosta de cinema, é delicioso ver filmes que falam sobre o tema. Que mostram o próprio ato de filmar, que exploram, discutem, homenageiam a sétima arte. Mas quem gosta de cinema também quer que os filmes façam aquilo que o cinema nasceu para fazer: divertir e emocionar. Ou, em resumo, encantar as pessoas pela magia – com o perdão do termo – dessa arte tão magnífica.

Há muitos filmes que divertem, outros que emocionam, alguns que fazem ambos. Filmes pesados, filmes poéticos, filmes delicados, ou de pura pancadaria. As pessoas anseiam por diferentes tipos de histórias, diferentes maneiras de contá-las. Não por acaso, existem muitas classes de filmes. Comédias, dramas, aventuras, épicos... Mas, ainda assim, eles se agrupam ao redor dos bastiões do cinema: a diversão e a emoção.

Entretanto, por melhores os filmes que você veja, raramente você encontra um que una essas características perfeitamente. Um desses filmes, que acabo de ver, é Cinema Paradiso. Poucas vezes vi seres humanos retratados de forma tão sublime na tela. Raras vezes vi um humor tão espontâneo ou delicado.

Não, Cinema Paradiso não é o filme que mais fará você rir, nem o que mais fará você chorar. Essas são questões muitos pessoais. Mas é um filme humano como poucos, e que exala um amor pela sétima arte que nos faz sorrir, tamanho o carinho com que o cinema em si é tratado.

Se vocês gostam de cinema, minhas crianças, vejam esse filme. Deixem-se levar por ele, entrem em sua corrente. No fim, vão descobrir que a vida pode ser muito melhor do que parece, mesmo sem o beijo apaixonado com o pôr-do-sol ao fundo no final.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Resenha: Um Retrato Do Artista Quando Jovem

A tradição do romance de formação ou Bildungsroman remonta a Goethe e seu “Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister.” A história do jovem alemão e suas teorias sobre Hamlet não só influenciou diversos escritores como criou um gênero. Livros como “O Jovem [Aluno] Törless” de Robert Musil, e “Sidarta” de Hermann Hesse são alguns dos expoentes do gênero, embora incontáveis outras obras sejam acrescentadas - ao humor do crítico estiver analisando (Harry Potter inclusive). Ainda que muitas (ou todas) as histórias falem sobre transformação, as características do Bildungsroman são claras e facilmente apreensíveis. Para começar, observe os títulos. Palavras sobre juventude e aprendizado são constantes. Além disso, são romances majoritariamente psicológicos, mais dedicados aos pensamentos e sentimentos do protagonista (notoriamente masculino pelas questões sociais que todos conhecemos, mas obviamente com suas exceções) sobre o que acontece ao seu redor, algo que acaba solitarizando-os.

Joyce adorava o livro de Goethe, e o citou inclusive em sua opus magnum “Ulisses” . Fez assim jus a isso criando um romance de formação – que é frequentemente comparado à autobiografia por semelhanças estilísticas – semi-autobiográfico. A história do “Retrato” é longa. Começou no dia 7 de Janeiro de 1904 (ano fatídico), quando ele escreveu um ensaio autobiográfico intitulado A Portrait of the Artist para a revista Dana, editada pelos escritores John Eglinton e Fred Ryan (também personagens de “Ulisses”), recusado prontamente, pois aquele afirmou: “Não posso imprimir aquilo que não entendo.” Incentivado pela recusa, Joyce se pôs a trabalhar em um romance, com o mesmo tema e história, chamado Stephen Hero, com conteúdo muito mais sociopolítico e extenso, percorrendo 26 capítulos, mas já “estrelado” pelo alterego do autor, Stephen Dedalus. Fragmentos de Stephen Hero seriam publicados depois da morte dele, possibilitando uma análise de seu conteúdo e proposta. Quanto ao “Retrato”, foi metamorfoseado da obra original em algo muito mais psicológico e denso, sendo então publicado em forma de série na revista The Egoist em 1914 e 1915, e depois impresso em forma de livro em 1916.

Como toda a obra de Joyce, o livro pode ser analisado sob muitas facetas. Comecemos pelo protagonista: St. Stephen foi o primeiro mártir cristão, e Dédalo foi o gênio inventor e arquiteto da mitologia grega - que construiu um touro de madeira para a rainha Pasífae copular com um touro campeão, e por isso foi preso pelo rei Minos no labirinto que construíra para o Minotauro, junto com seu filho. Ele então fez dois pares de asas com penas e cera, e as utilizou para fugir. Seu filho, por outro lado, se aproximou muito do sol e caiu, gerando a famosa analogia/metáfora do “vôo de Ícaro” ou da “queda de Ícaro”, tão batida quanto a “ressurreição da Fênix das cinzas” -, o que ilustra perfeitamente a dicotomia do personagem: inicialmente e por um lado um católico contrito, cheio de culpas e arrependimentos, eternamente melancólico; e posteriormente e por outro um pagão, um poeta herético ou, em suas palavras, “um horrível modelo de livre pensamento.” Analisado contra Poldy ou Molly Bloom, Stephen é um personagem um tanto estéril (como o disse Harold Bloom). Quando divide a cena, acaba ficando em segundo plano. Mas “Retrato” é seu livro, sua história, e aqui ele executa perfeitamente bem seus papéis.

E a maneira que ele encontra para tomar posse do livro é a penetração psicológica, aplicada sob a forma do monólogo interior, usado pela primeira vez por Joyce. O método “criado” por Edouard Dujardin foi utilizado por muitos, mas Joyce é o mestre e artesão definitivo do estilo. O monólogo de Molly Bloom em “Ulisses” é especialmente citado, mas já em “Retrato” Joyce explora de mil maneiras o mundo interior do protagonista com o fluxo de consciência. Impossível não entender os dilemas de Stephen, e identificá-lo como humano. A maneira como as coisas vêm pode ser um pouco difícil, mas qualquer leitura atenta desvenda imediatamente toda a - com o perdão da expressão – magia do livro.

Magia esta que toma outras formas. A “formação” ou “evolução” da personagem, o outro grande trunfo do romance, ocorre aqui em paralelo à evolução do livro. O crescendo da sofisticação lingüística e sua representação musical são de fato os verdadeiros retratos de Stephen. Inicialmente sons monocórdios, orações coordenadas, idéias girando em torno de um mesmo conceito. Sim, o início do “Retrato” é o mundo pelos olhos de um bebê. O resto deste primeiro capítulo, um dos mais deliciosos de se ler, também retrata fielmente o pensamente infantil, em sua busca dos porquês e em sua ânsia analítica de entender as coisas e relacioná-las umas às outras. Finda a prótase, vem a epítase: nascem os conflitos, familiares, religiosos e psicológicos, na mente e no mundo de Stephen. A descrição do Inferno, em particular, me marcou profundamente quando o li pela primeira vez, transformando-se no trecho mais perene na minha memória. A catástase, em minha concepção, é sua decisão de ir embora, de romper de vez com sua família, e ir morar em Paris, sendo todo esse conflito permeado por suas discussões estéticas e políticas com colegas estudantes.

Antes que se consuma o fim, já se formou na memória qual foi a “formação” pela qual Stephen passou: um garotinho estudante de um colégio jesuíta passa por um momento de quebra (a falência de seu pai) e se entrega à promiscuidade como refúgio (e como descoberta). Mas as reminiscências do passado religioso renascem quando ele volta à escola, e se descobre um pecador, fechando-se então cada vez mais em seu desespero profano. Acomodado, encontra um ponto de segurança, mas continua preso e fechado. Finalmente, vai se libertando, se desprendendo de sua família que o prende, de suas culpas que fecham, de seus medos que o vedam. Como aquele do qual tomou o nome, ele escapa de um labirinto - onde em cada parede se encontra uma frustração -, estende suas asas, e alça vôo, para descobrir novos ares e tentar novas empreitadas. É a catástrofe, o desfecho, o amadurecimento do jovem aprendiz. Independente do que vier a mais, ele se encontrou definitivamente, e se transformou no que viveu para ser. E para que, quando encontrasse novos grilhões, novas barreiras, pudesse voar novamente, pede, nas linhas que encerram o romance: Velho pai, velho artífice, valha-me agora e sempre.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Again e Agian.

Para os desavisados, eu escrevi(a) um pequeno épico chamado "Again e Agian" no fórum Jovem Nerd. Agora, está acabado. Visitem, leiam, comentem! Agora, como uma palhinha, o texto de encerramento, sobre o fim da obra.

É difícil falar sobre algo que provoca tantos sentimentos contraditórios. Again e Agian não é minha obra preferida, não é meu xodó, e nem de longe é algo muito bem escrito. É razoável, e de certa forma, assim mesmo foi criado e assim deveria se manter. Um dia, numa conversa casual com o lendário Holygriever, ao tentar dizer "ah, e assim por diante, again and again..." um simplório erro de digitação levou a "again and agian..." Prontamente, meu interlocutor exigiu que eu criasse uma história para isso. Em princípio, quis criar uma história nonsense, como se atesta nos primeiros posts desse tópico; mas acabei criando também uma história diferente, épica, bem ao estilo daquelas que todos nós nerds gostamos. Ela começava assim: "Era uma pálida noite de um rigoroso inverno, quando os gêmeos foram concebidos." Agora, um ano, dezoito capítulos (juro que esse número foi sem querer!) e cinquenta e cinco páginas depois, eis que "Again e Agian" se encontra acabado. Claro, como qualquer coisa escrita, ela carece - e muito diga-se de passagem - de revisão, de uma reescrita, todos aqueles pormenores que transformam uma massa de palavras em algo realmente bem acabado e interessante. Mas a matéria bruta - bem, sejamos uma pouco condescendentes conosco mesmo: ela já está uma bocado dilapidada - está aí, gigante em seu esplendor. Como eu disse antes, não é minha melhor obra, nem minha preferida, mas é muito querida, porque é meu primeiro grande épico (oh, até parece) e mais: a primeira história extensamente planejada que eu de fato escrevo. Por um lado, ao terminar "Again e Agian", fica um vazio. Mas eu sei que foi mais uma causa conquistada e mais um passo a um amadurecimento deste que vos escreve como escritor.