terça-feira, 29 de julho de 2008

Pílulas Cinematográficas, Edição 3: Especial Top Five

Para completar as críticas de Sangue Negro, Onde Os Fracos Não Têm Vez e WALL-E, filmes integrantes do meu top-five de filmes lançados até agora esse ano no Brasil, venho com os comentários sobre Não Estou Lá e Cavaleiro das Trevas, os outros integrantes dessa lista.

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Não Estou Lá (I’m Not There, Todd Haynes, 2007)

De biografias musicais, o cinema está cheio. Elas geralmente seguem sempre o mesmo esquema: do anonimato ao sucesso, logo seguido pelo “preço da fama” (geralmente relacionado à dobradinha trauma de infância + drogas) e posterior recuperação, que leva o artista a uma nova fase em sua carreira e à paz de espírito. Assim sendo, é um bálsamo ver nos cinemas (atualmente já em DVD) um filme tão original como Não Estou Lá. O início do filme já avisa: “baseado nas muitas vidas e canções de Bob Dylan”. E é até bom que seja assim. Caso contrário, alguém menos conhecedor das obras do bardo poderia ficar perdido. Isso porque, mais do que preocupado em contar de forma linear a história de Robert Zimmerman, Haynes quer desenhar uma espécie de trajetória “espiritual” do compositor, especialmente em relação ao seu desenvolvimento artístico. Por isso, Dylan é interpretado por seis atores no filme, entre eles um menino negro, que representa o início da carreira de Dylan, quando queria ser (literalmente) como Woody Guthrie, e uma mulher, Cate Blanchet, numa extraordinária performance, representando a fase mais roqueira de Dylan, quando ele virou “elétrico”, fumou maconha com os Beatles e acabou ojerizado por antigos fãs. Enfim: um filme obrigatório para os adoradores do artista, cheio de detalhezinhos deliciosos. E, para aqueles que não conhecerem a obra dele, um fascinante exercício de cinema.

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Batman – Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, Christopher Nolan, 2008)

Por muito tempo, os fãs de quadrinhos têm esperado por isso: um filme que fosse ao mesmo tempo fiel e sério. Que, embora sendo respeitoso em relação ao material original, soubesse ir além do feijão-com-arroz que dominava as produções do gênero. E agora, parece que finalmente chegamos lá, de uma vez por todas. Mais que uma mera adaptação de quadrinhos, Cavaleiro das Trevas é um fenômeno, um filme já mítico, seja pela extremamente inovadora e bem sucedida campanha de marketing do filme, seja pelo marcante, e extremamente triste fato de Heath Ledger ter morrido, seja por elevar as adaptações de quadrinhos a um novo patamar. Análises minuciosas do filme já foram feitas por toda a parte, então prefiro não me alongar. O que faço questão de dizer, entretanto, é que esse filme merece ser visto e revisto, em memória sobretudo à interpretação extraordinária de Ledger, o Coringa definitivo, definitivamente, um papel hipnótico e assustador, ainda que melancólico, por mostrar o quanto o cinema perdeu com a morte desse ator. Felizmente, já se fala muito em Oscar póstumo para ele, e estou torcendo pra isso, de verdade. Que além dos recordes de bilheteria que o filme tem batido no mundo todo, e da majoritariamente positiva avaliação que tem recebido (nota 9,3 no IMDb, com mais de 150 mil votos, conceito A no Box Office Mojo, e 95% de críticas positivas no Rotten Tomatoes), ele também seja campeão em receber prêmios, pois essa atuação de Ledger, tristemente a última que ele levou até o fim (havia filmado metade de um filme de Terry Gilliam quando morreu), merece ser reverenciada.

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