segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Top 10 - Filmes vistos por esse blog
Num certo clima de retrospectiva, faço aqui o ranking dos 10 filmes já analisados por mim no blog prediletos. As três primeiras posições são mesmos os filmes que eu mais adoro. Quanto aos outros, não sei dizer com certeza: a minha lista de filmes mais amados só é aumentada quando eu realmente tenho certeza do que estou fazendo. Não vou tecer comentários a respeito de cada filme: as críticas devem falar por si próprias. Dito isso, vamos a elas.
1. Apocalypse Now
2. Cinema Paradiso
3. 8 e 1/2
4. Asas do Desejo
5. O Sétimo Selo
6. Um Homem Com Uma Câmera
7. O Anjo Exterminador
8. Sangue Negro
9. Rocco e Seus Irmãos
10. WALL-E
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sábado, 10 de maio de 2008
Um Homem Com Uma Câmera
Somos avisados do radicalismo do filme desde o início. Um letreiro explica que este é um filme-experimento, que busca criar e aplicar uma linguagem totalmente cinematográfica, rompendo com a herança e a influência do teatro e da literatura. Sem diálogos, sem cenário, sem atores. Tudo isso conduzido pela mão de Dziga Vertov, um dos gênios da Sétima Arte da URSS, onde o cinema era a arte oficial de Lênin. Inicialmente, o filme é quase um documentário, seguindo os conceitos do Kino-Pravda e Kino-Glaz (Cine-Verdade e Cine-Olho). Cenas do cotidiano são mostradas: o casamento e o divórcio, o nascimento e a morte. Pessoas indo ao trabalho, o fluxo dos homens nas ruas. Jogadores de futebol, atletas olímpicos. Mineradores, operários, telefonistas. Russas gordas fazendo topless cobertas de lama na praia... nada é demais ou de menos para a câmera de Vertov.
A parte sonora e musical é um espetáculo à parte. Executada pela Alloy Orchestra baseada em instruções escritas por Vertov, a trilha sonora é embasbacante. Os efeitos sonoros também são fascinantes, e ambos são de grande importância no filme, dando e seguindo o tom das cenas e dos acontecimentos.
Mas o grande trunfo do filme reside em sua análise da linguagem do cinema. Em sua reveladora exposição do processo. Não é mostrado somente os bondes e carros saindo de suas garagens, ou mulheres passeando de carroça. Também é mostrado o cameraman – o homem com a câmera – subindo uma torre para filmar os bondes, ou se equilibrando sobre uma outra carroça para filmar as mulheres em seu melhor ângulo. O filme trata, assim, dos truques, desafios e perigos do homem por trás da câmera. Vertov pára as imagens, as coloca em câmera lenta, as faz correr, tudo para expressar as possibilidades infinitas da filmagem.
E não é só: mostra também o grande truque do cinema, a montagem de um filme. Uma mulher recorta os negativos os examina, aciona o rolo, os cola novamente. O sorriso de uma criança, a reclamação de uma velha, o rush da multidão. Tudo ganha diferentes sentidos e conotações, parados ou em movimento.
O Homem com uma Câmera se insere, assim, no grupo sobre o qual já falei aqui, dos filmes sobre cinema, sendo talvez o primeiro e maior deles. Vertov foi um dos poucos artistas exclusivamente cinematográficos, e a Sétima Arte deve muito a ele. Sem dúvida, O Homem com uma Câmera é um dos filmes mais importantes de todos os tempos.
P.S.: O YouTube tem se mostrad um ótima fonte de ver filmes mudos antigos, de difícil acesso em DVD. Portanto, deixo aqui citada a fonte.


