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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Dissertação 2 Versão Definitiva

Versão "de entrega". Insatisfatória mais uma vez. Ok, na última também fiquei insatisfeito e tirei 10, mas essa realmente tá menos redondinha. Ainda sou presa de uma idéia que me foi passada, segundo a qual uma dissertação deve expôr um problema, suas consequências e propôr uma solução. Mesmo que o pedido seja claramente "fale sobre uma consequência das atitudes dos filhotes cangurus" eu coloco elas no meio mas acabo finalizando com uma maldita resolução meio lesada pro problema. Nhé. [Edit: Tirei 9,5]

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A “marcha da História” redunda às vezes em circunstâncias que, se à primeira vista parecem paradoxos, sob um escrutínio mais rigoroso revelam verdades sobre sua época e chegam até mesmo a explicá-la. Vivemos em uma situação desse tipo. O prolongamento da vida humana pela ciência convive com uma vontade de rapidez e velocidade que reduz os fatos cotidianos a uma fugacidade estonteante.

Isso ajuda a explicar muitas características do mundo em que vivemos. Uma delas diz respeito às “fases da Vida” e o que elas significam em cada momento da História. Se na Idade Média não existam crianças (ou o conceito de criança), somente adultos maiores ou menores, transformações culturais foram ocorrendo e mudando isso, culminando nas revoluções de comportamento das décadas de 50, 60 e 70, quando não só se criou o conceito de adolescência, como a transformou sucessivamente, até o ápice da máxima liberdade da cultura hippie.

Porém, se os jovens daquela época tiveram que lutar por sua liberdade, os de hoje já a herdaram de seus pais e avós. Assim, os adolescentes se encontram numa posição privilegiada. Têm ampla liberdade, acesso ao que quiserem pela internet, e a comodidade de só terem de se preocupar com alguns dilemas banais da juventude. Se é desse modo, por que querer mudar ou abandonar esse conforto extremo? Essa situação levou a que o período da adolescência crescesse como um câncer, começando cada vez mais cedo e se estendendo indefinidamente.

Quem opta por esse caminho se torna o chamado filhote-canguru, que quer para sempre se manter na acomodação do marsúpio materno. Desse modo, renegam os ideais paternos, submetendo a idéia de liberdade a um esquadro tacanho, o famoso “mundinho” de tantos jovens.

E as conseqüências disso são enormes. Postergar o encontro com o mundo adulto não é eliminá-lo. Cedo ou tarde, ele acontece, e o “adolescente eterno” encontrará um mundo que não conhece, com o qual não sabe lidar. E mais: esse encontro pode vir por meio de um filho. Pior que uma sociedade cheia de jovens sem rumo, é uma sociedade cheia de pais sem rumo. A bola de neve decorrente disso é assustadora.

Ainda que, por necessidade natural, esses filhotes-canguru comecem a trabalhar, será somente um paliativo, e qualquer choque ou desilusão decorrente do trabalho poderá levar as conseqüências como depressão ou suicídio. De fato, esses são problemas flagrantes da atualidade. Em um mundo cada vez mais veloz e exigente, e onde esse estresse de prolonga por muito tempo, as pessoas acabam cedendo, não suportam a pressão. E se essas pessoas tiverem uma mentalidade infantilóide e dependente, o problema se agravará muito mais.

É uma questão sombria, que poderá resultar em uma sociedade estacionária, estagnada, frágil por dentro. Para reverter esse quadro, somente reencontrando o ponto de equilíbrio – clichê máximo mas verdadeiro – para onde convirjam com equanimidade todas as facetas da liberdade em conjunto com responsabilidade, respeito e senso de humanidade.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Dissertação 2 Versão Beta

Tema: Os filhotes canguru, pessoas que prolongam a adolescência indefinidamente. Esse trecho foi quase que integralmente descartado na versão final.

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É mesmo impossível prever o futuro. Mesmo que se possa adiantar fatores vindouros, adivinhar as conseqüências é muito mais complexo. Na Idade Média, não existiam crianças, somente adultos, maiores ou menores. Depois, a infância se instituiu mais fortemente, como um curto período que levava logo à idade adulta. Em meados do século XX, finalmente, a adolescência se instituiu como um período intermediário, de preparação e transição. Nas décadas de 60 e 70, enfim, houve a ruptura final, quando os jovens buscaram a liberdade e a autonomia em oposição ao mundo conservador de seus pais.

Os filhos desses revolucionários, entretanto, parece que pouco herdaram dos sentimentos e ideais libertários de seus pais. Toda a efervescência daqueles anos estagnou e se converteu em uma acomodação cínica. O progresso tecnológico tomou o lugar do ideológico, e veio como um instrumento para garantir o alongamento dos períodos da vida. Se antes se morria com 40 anos, hoje os 80 são uma idade razoável, e o efeito colateral disso é um completo paradoxo.

Por um lado, em uma sociedade cada vez mais rápida, o tempo nunca é suficiente. Por outro, procura-se alongar a fase da vida sem preocupações e problemas. Os jovens dos anos 60 e 70, tendo lutado por sua liberdade, a garantem aos filhos de uma maneira completamente desproporcional. Com isso, os adolescentes se acomodam nesse período, pois tem toda a liberdade que precisam e nenhuma preocupação séria. Levam a vida no mais indiferente descompromisso, o que criou uma espécie de câncer, pois a adolescência começa cada vez mais cedo e se alonga indefinidamente.

A um filhote dessa geração, falar em “descompromisso” como algo ruim parece reacionário. Na verdade, trata-se de uma tentativa de reencontrar o equilíbrio, pois com a multidão de “filhos-cangurus” se multiplicando, a sociedade não passará incólume.

Filhos-canguru acabam tendo seus filhos, e passam os mesmos costumes a eles. Essa bola-de-neve pode ter como conseqüência, no futuro, gerações perdidas. Mas, no presente, os efeitos já são ruins o suficiente.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Dissertação 1.1

Pois é Ana, na verdade fugiu bastaaante do tema. Agora, nesse upgrade, mantém-se o discurso, mas ele está mais conciso e direto. E igualmente ruim. u.u

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Segundo a ginecologista Albertina Duarte Takiuti – coordenadora do programa Saúde do Adolescente, da Secretaria de Estado da Saúde, especialista sobre gravidez na adolescência – o hábito juvenil de “ficar” é a principal causa dos crescentes índices de prenhez precoce. De acordo com a doutora, tal situação não se deve à falta de informação. Se assim fosse, como explicar que 40% das adolescentes que tiveram um filho voltem a engravidar dentro de três anos? Afinal, elas não só foram informadas como sentiram na pele essa “informação”.

A questão é que o “ficar”, por suas características, é causa primordial do problema da gravidez precoce, mas também sintoma do mundo atual. É uma relação rápida, fácil e inconseqüente. Se conhece uma outra pessoa, e segundos depois já se está beijando-a, sem saber se ela tem alguma doença, por exemplo. Além disso, não há nenhuma necessidade de continuidade na relação. Ela é momentânea, desconexa de qualquer passado ou futuro. E de beijar um desconhecido a fazer sexo com um, não é preciso muito.

A esses fatores, herança ruim da Revolução Cultural que aconteceu a partir dos anos 60, somaram-se outros. Se antes mesmo dar as mãos já era um atrevimento, hoje tudo é permitido. O problema é que a “liberdade” foi confundida com “anarquia” sexual, e também com ausência de responsabilidade. A falta de compromisso com o outro levou a falta de compromisso consigo mesmo.

Debalde, muitos tentaram criar uma consciência sobre isso, mas eram, em sua maioria – ainda são na verdade -, levados por um ímpeto conservador, retrógrado, e não construtivo, o que levou os anarquistas sexuais a rechaçá-los. Assim, a indiferença pelas conseqüências, que em grande medida é o sentimento motor do ficar, se espalhou ainda mais.

Com isso, acabamos em um cenário preocupante de DST’s – lentamente revertido pela pungência do “mundo real” adulto – e com o aumento aterrador da gravidez adolescente, efeito colateral da “ética da indiferença” da sociedade ocidental atual.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Dissertação 1.0

Escrita para a escola, essa foi a primeira versão completa. Mas ela fugia muito do tema, perdia o foco. Esse aliás é o meu maior problema para escrever dissertações. Escrevi então uma versão "definitiva" (ou seja, que será entregue), mas tampouco gostei desta. Anyway, vocês terão acessos a ambas. Quão triste!

A proposta era, em termos gerais: Você concorda que o ato de "ficar" é a principal causa da gravidez precoce?
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Segundo a ginecologista Albertina Duarte Takiuti – coordenadora do programa Saúde do Adolescente, da Secretaria de Estado da Saúde, especialista sobre gravidez na adolescência – o hábito juvenil de “ficar” é a principal causa dos crescentes índices de prenhez precoce. De acordo com a doutora, tal situação não se deve à falta de informação. Se assim fosse, como explicar que 40% das adolescentes que tiveram um filho voltem a engravidar dentro de três anos? Afinal, elas não só foram informadas como sentiram na pele essa “informação”.

A questão é que o “ficar”, por suas características, é causa primordial do problema da gravidez precoce, mas também sintoma do mundo atual. É uma relação rápida, fácil e inconseqüente. Se conhece uma outra pessoa, e segundos depois já se está beijando-a, sem saber se ela tem alguma doença, por exemplo. Além disso, não há nenhuma necessidade de continuidade na relação. Ela é momentânea, desconexa de qualquer passado ou futuro. E de beijar um desconhecido a fazer sexo com um, não é preciso muito.

Seis décadas atrás, um olhar, um toque, já era motivo de gozo, especialmente para os românticos, e ir além disso era um desrespeito. Veio então a Revolução Cultural das décadas seguintes, que não por acaso se estendeu por quase todos os campos de alcance humano. Foi uma Revolução de costumes, sexual, artística: completa, que jogou a humanidade diretamente na Era Digital, agora com total liberdade para que cada um agisse como bem entendesse, e com meios – a Internet e similares – para tanto.

A despeito da questionável hipocrisia do “Mundo Livre” ou “Aldeia Global”, o fato é que os humanos não estavam acostumados a tanta liberdade. Assim, tomaram como hábito certas atitudes sem antes questionar-se sobre suas conseqüências. Daí adveio um certo desligamento de valores éticos fundamentais, não dependentes de uma religião ou ideologia, mas inerentes ao próprio ser humano, sobretudo o respeito pelo próprio corpo e pelo corpo alheio.

Desse modo, a “liberdade” se tornou “anarquia” sexual, o que ocasionou a total indiferença pela conseqüência de cada ato. Tal situação talvez já existisse em menor medida, mas a liberdade (mal interpretada como ausência de responsabilidade) possibilitou que novos atos, mais abrangentes, tomassem parte no cotidiano. Debalde, muitos se esforçaram por criar uma consciência sobre essas atitudes. Infelizmente, eram na maioria – ainda são, na verdade – levados por um ímpeto conservador, retrógrado, e não construtivo, o que fez com que os anarquistas sexuais os rechaçassem fortemente. Hoje, vêem-se as conseqüências disso: o aumento da gravidez adolescente, a proliferação de DST’s, e a banalização do ato sexual, todos efeitos colaterais da situação supracitada: a falta de respeito e de responsabilidade consigo mesmo e com os outros. A única regressão possível está acontecendo, lentamente, graças à pungência da realidade, que pode transformar barulhentos humanos clamando por liberdade irrefletida em graves adultos maduros.